O vazio de estar acabando um processo que durou mais de dois anos é assustador. Quando eu achei que a sensação de missão cumprida me traria um sentimento de "completude", acabei ignorando o fato de que as coisas às vezes operam totalmente ao contrário.
Inúmeras foram as vezes durante o processo que eu me imaginei feliz e satisfeito quando ele tivesse chegado ao fim. Eu pensava que ia me surpreender com o resultado final e sentir que tudo o que eu coletei durante anos de trabalho estaria impresso ali naquela tela de cinema. Na verdade, tudo está ali sim, impresso na tela. Todo sentimento que nos acompanhou durante todo o processo do filme. Mas tudo está ali para os outros desfrutarem. Para mim, não há mais surpresas, acabaram-se os mistérios.
Percebi que nunca terei a oportunidade de ver um filme meu com os olhos virgens, sem ter influência de todo processo que aconteceu para chegar até esse ponto. Cada cena que eu assisto me faz viajar nos bastidores e traz sentimentos nostálgicos de um momento. Da época em que eu estava em um outro estágio anterior de mim mesmo agora.
SONHO - Tudo vira saudade. Uma coisa estranha. Uma saudade do que eu nunca vivi.
REALIDADE - Tudo virou corte, correção de luz, limpeza de diálogos e 1a. cópia.
É impossível ver com distância algo que faz parte de você mesmo. O vazio chegou, esperando que algo o preencha. E logo!
domingo, 3 de maio de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Nossos filhos
Hoje vi pela primeira vez meu filho. Hoje ele veio ao mundo!
Na minha cabeça, fiz planos. Já o imaginei dizendo as primeiras palavras, se comunicando comigo e com o mundo. Senti ele segurando forte na minha mão, com medo do que pudesse acontecer com ele. Eu o protegeria até o fim. Até ele largar minha mão, com coragem para seguir por aí sozinho.
Já pude vê-lo crescendo, traçando um belo caminho. Ganhando medalhas e sendo reconhecido. E também sendo criticado, é claro. Aprendendo mais consigo mesmo e criando segurança. Eu vi o tempo trazendo para ele mais força. Ultrapassando desafios tão grandes que apesar da minha vontade de ajudar, não poderia fazer nada além de assisti-lo de longe e dizer: "siga sozinho, você já tem luz própria!"
A gente planeja o caminho dos nossos filhos de modo tão ingênuo... Sem mesmo perceber que eles andam sozinhos, tem vida própria. São fortes e sabem seu caminho. Nós que não sabemos, não podemos prever. Somos muito pequenos perto deles.
Nos resta sonhar, SEMPRE! Porque doer já está implícito.
Na minha cabeça, fiz planos. Já o imaginei dizendo as primeiras palavras, se comunicando comigo e com o mundo. Senti ele segurando forte na minha mão, com medo do que pudesse acontecer com ele. Eu o protegeria até o fim. Até ele largar minha mão, com coragem para seguir por aí sozinho.
Já pude vê-lo crescendo, traçando um belo caminho. Ganhando medalhas e sendo reconhecido. E também sendo criticado, é claro. Aprendendo mais consigo mesmo e criando segurança. Eu vi o tempo trazendo para ele mais força. Ultrapassando desafios tão grandes que apesar da minha vontade de ajudar, não poderia fazer nada além de assisti-lo de longe e dizer: "siga sozinho, você já tem luz própria!"
A gente planeja o caminho dos nossos filhos de modo tão ingênuo... Sem mesmo perceber que eles andam sozinhos, tem vida própria. São fortes e sabem seu caminho. Nós que não sabemos, não podemos prever. Somos muito pequenos perto deles.
Nos resta sonhar, SEMPRE! Porque doer já está implícito.
domingo, 19 de abril de 2009
Agulhas e pulos
É como ouvir um disco e perceber que, naquele tempo, tudo era pensado. Que havia uma primeira música e uma última, que havia um lado A e um lado B.
E que hoje, as músicas estão soltas por aí, em qualquer ordem. E podemos pausá-las, simples assim - brecando sentimentos iniciados. E voltar a ouvi-las do mesmo ponto de onde paramos, acreditando que as coisas farão o mesmo sentido.
Não há mais agulhas.
E que hoje, as músicas estão soltas por aí, em qualquer ordem. E podemos pausá-las, simples assim - brecando sentimentos iniciados. E voltar a ouvi-las do mesmo ponto de onde paramos, acreditando que as coisas farão o mesmo sentido.
Não há mais agulhas.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
A espera...
Ali tem uma árvore que não dá pra ver agora.
Tem um monte de fio cortando o céu.
Tem um monte de fio cortando meu coração.
A espera... A cidade da língua irmã me acolhe.
Restam mais 15 dias.
Je ne dors plus, Je ne mange plus...
Je te manque, Je te moque...
Tem um monte de fio cortando o céu.
Tem um monte de fio cortando meu coração.
A espera... A cidade da língua irmã me acolhe.
Restam mais 15 dias.
Je ne dors plus, Je ne mange plus...
Je te manque, Je te moque...
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